A luta continua…

Nesse clima de tensão e guerra fria, amigos – ou nem tanto – acabam se estranhando por convicções políticas. Um é direita, outro é esquerda, daí já viu. Na maioria das vezes, ou ninguém dialoga – visto não haverem argumentos, somente acusações e insinuações sobre a inteligência ou hombridade do outro – e quando alguém dialoga, ou tenta, normalmente o outro simplesmente ignora os argumentos.
Em primeiro lugar, àqueles que não gostam de discutir inteligentemente: vocês podem estar errados. É chocante, mas às vezes seres humanos não são totalmente perfeitos. Portanto, se alguém disser ‘leia isso’, a intenção é que a pessoa leia, reflita, busque mais informação em fontes confiáveis, confronte o que viu com o que sabe e aprendeu, e daí parta para a réplica – para discordar com embasamento ou pelo menos confirmar que daquele fato você não sabia.
Mas se alguém tem um mínimo de preocupação com o que será de nossos filhos, NÃO LEIAM APENAS O TÍTULO do posto/tweet/anúncio/artigo/o que valha. Títulos são para chamar a atenção, não formar opinião (concordo, o título deste texto é medíocre, mas…) e portanto não servem para embasar seus pensamentos pré-concebidos de que o outro está obviamente errado ao acreditar nisso ou sofre de algum problema de desenvolvimento intelectual.
Todos temos nossas diferenças, e ninguém é igual a ninguém em nenhum aspecto. Mas lógica e raciocínio são ferramentas úteis para avançar em discussões (menos sobre futebol), e se fossem mais usadas, sei lá, talvez houvessem até menos assassinatos neste mundo.
Pois bem. Após renhidas batalhas (‘vc é comunista’, ‘golpista’, ‘gosta de corrupto’ vs. ‘pelo amor de Deus, leia antes de me ofender’), um certo conhecido resolve abandonar sua ‘honestidade’ intelectual (não me pergunte por que alguém chamaria falta de interesse em pesquisar sobre algo em honestidade, mas…) e me mostrar uma prova decisiva: o áudio da delação do marginal e lavanderia de dinheiro Youssef (só isso valer como prova já mostra o nível do argumento). Enfim, o cidadão em questão me disse que ali mostrava – em áudio – o envolvimento de Lula e Dilma no Mensalão, Petrolão, Eletrolão, Constelação e esculhambação. Realmente, após uma hora e meia de boa vontade infinita, cheguei ao fim do vídeo e constatei horrorizado: estive sempre errado. Lula estava envolvido, claro, o alvejador de dinheiro (o maior do país após se livrar da concorrência em outra delação premiada anterior) disse com todas as letras que o Planalto SABIA. Que certos agentes políticos, com o intuito de colocarem um certo agente na cadeira certa da Petrobrás – com o claro intuito de salvaguardar a instituição – travaram o país por 90 dias. Que administrador não ficaria louco? Lula ficou. Sem ordens para cumprir (sim, presidentes mandam muito pouco. Quase tudo do que fazem é mandado por Lei), cedeu aos baixos interesses da intrépida trupe, e nomeou o dito para o cargo.
Viram? Claro que há envolvimento. A espera de 90 dias para aceitar pressão é apenas fachada, claro. O fato de ter um país parado nas mãos, que recairia em sua culpa, não é motivo para achar que ele estaria sendo chantageado. Jamais. Não num congresso de cidadãos ilibados da estirpe de Bolsonaro, Aécio, Cunha, Sarney, Collor, Maluf, e tantas outras pessoas ótimas que não cito para não vomitar mais.
Tolo e petralha que sou – curiosamente o cidadão fala que adulo Dilma e Lula por ser bancário e o governo atender nossas reivindicações imediatamente, diferentemente da categoria desse meu sábio interlocutor; claro, o fato de que apenas na era PT se investiu na área em que hoje ele é funcionário público federal é mero detalhe, e o fato de que salário de bancário melhora tanto que estamos sempre um pouco mais próximos de receber abono do PIS, também não tem nada de importante, ou, como virou moda, ‘não vem ao caso’ – ainda tentei defender ‘esses animais’ da esquerda ‘que trará o golpe comunista para os chineses matar nós tudo’ (não resisti, vi isso num vídeo desses que rodam a rede), dizendo que se saber de corrupção torna alguém envolvido, bom, todo cidadão sabe. Todo mundo já viu alguém dando uma de espertinho e não fez NADA. ‘Não quero me meter em confusão’, diriam. Além disso, o Planalto sabia é algo muito vago. E como interpretando ao pé da letra ‘ficar louco’ não significa ‘estar conivente e recebendo propina para colocar a pessoa acertada no cargo’, fez-se necessário, na transcrição, deixar bem claro que o Sr. delator mestre em lavagem de dinheiro sujo, ao falar em planalto, inclui o nominho de Lula e Dilma. Agora, sim, com provas ‘documentais’ em mãos, tive que me render a toda a sabedoria política do meu opositor. Quem sou eu, contente com o fato de não ver mais gente morrendo de fome todo dia, famílias construindo patrimônios, gerações inteiras obtendo o direito de atender a curso superior, para entender realmente de política?
É coisa de comunista votar em quem se importa com a miséria dos outros. Com certeza, quem nasceu miserável, doente, pobre e nu apenas não se esforçou o suficiente para superar isso (como o exemplo de moral brasileira, o grande derrotado de 2014, que de tanta capacidade conseguiu um emprego de chefia na Caixa, mandado pelo avô, claro) e morreu por culpa da própria preguiça. Sim, com certeza achar a morte de quem nunca teve chance alguma na vida de lutar por sua sobrevivência e condições dignas de vida, é coisa de comunista.
Portanto, abaixo o capital.

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