Meus comentários a um texto interessante

Coisas que seu Professor Esquerdista não te Contou

1) O comunismo falhou miseravelmente e os novos modelos de socialismo parecem fadados ao mesmo destino. O assim chamado “socialismo do século XXI” praticado na vizinha Venezuela dá claros sinais de que não poderá se sustentar por muito tempo. O país, mesmo tendo uma das maiores reservas de petróleo do mundo é assolado hoje por escassez de todo tipo de bem imaginável, de energia elétrica à papel higiênico, passando por frango, leite e outros produtos essenciais. Tem uma das taxas de inflação mais altas do mundo e uma taxa de homicídios também entre as mais altas do mundo. Não é à toa que a Argentina virou-se para direita, dando às costas ao modelo que quase a quebrou.

R: claro que falhou. A China é uma prova clara disso. Economia planificada não serve mesmo sequer para se tornar a maior potência industrial e comercial do planeta, não é mesmo? Cuba, como a única nação da América Latina a atingir TODOS os objetivos da educação – segundo a ONU, uma comunista maldita!! – e um dos países com o melhor sistema público de saúde do planeta, também é um fracasso. Se ao menos o criminoso embargo americano tivesse sido afrouxado antes… E a Rússia, então, atualmente se lançando como uma das potências capazes de trazer – finalmente – alguma ORDEM ao Oriente Médio, depois de décadas de esculhambação e joguetes dos EUA… Triste Putin não perceber o quanto não é nada, né?

Quanto à Venezuela, o problema de lá não é o ‘socialismo do século XXI’. É a direita venezuelana – apenas superada em truculência pela direita de Cuba, o que coincidentemente, acabou levando à vitória de uma revolução em ambas – que escondeu produtos para desestabilizar o regime. Prova disso é que bastou uma vitória parcial nas últimas eleições para os itens ‘escassos’ SUBITAMENTE voltarem às prateleiras. Não acho que quem negocia tem ou não direito a não vender se quiser, finalmente, no socialismo continua valendo a regra de mercado. Mas é no mínimo uma coincidência escabrosa

2- Os economistas Ludwig von Mises e Friedrich A. Hayek dariam mais detalhes sobre a inviabilidade do socialismo, explicando que dessa forma, a única maneira de medir a utilidade de um produto é através do mecanismo de oferta e demanda do livre mercado.

R: muito inteligente. Usar argumentos de Marketing – capitalistas – para explicar que o Socialismo ou Comunismo é impossível por não ser possível avaliar a utilidade de um produto pelas regras DO CAPITALISMO. Em primeiro lugar, NÃO HÁ MERCADO em regimes comunistas: o que há é produção planificada. A utilidade de algo é medida, bem, por sua UTILIDADE, não pelo que marqueteiros dizem ser utilidade. Se quem escreveu esse pequeno texto tivesse lido o mimimises, veriam que o mercado não mede a utilidade de produtos, mas sua demanda. Assim, produtos com alta demanda e totalmente supérfluos são produzidos à revelia da necessidade da sociedade. Isso não ocorre no comunismo, e portanto, o mecanismo de precificação é inútil, visto que se produz para suprir TODAS as necessidades da humanidade, não o lucro. Finalmente, existe sim a regra de mercado em regimes socialistas. Apenas não há autorização do Estado para o capitalismo selvagem ditar TODAS as regras, pois há regulamentações. Quando da quebra do mercado subprime em 2007, a ‘solução’ apontada foi: a) dê dinheiro aos bancos – que criaram o problema (cadê a meritocracia? Se são competentes se salvem, senão, fechem as portas) – e b) não se metam, deixem o mercado agir à vontade (e agiram, usando os trilhões de dólares dados pelo governo para ESPECULAR AINDA MAIS. Brilhante)

 

3- Com base na sua ideia de Mais Valia e de exploração do proletariado, Marx previu que a situação dos trabalhadores iria se deteriorar cada vez mais.

Isso iria gerar ciclos econômicos e crises frequentes, com cada nova crise sendo pior que a anterior, até que chegaria o momento em que o capitalismo entraria em total colapso, os trabalhadores se revoltariam, fariam uma revolução e implantariam o socialismo.

Só que nada disso aconteceu. Na verdade aconteceu o exato inverso.

O capitalismo é marcado por crises constantes sim, mas ele sai mais forte de cada uma delas. O sistema evolui a cada crise, pois os mecanismos de ajustes tornam o modelo mais participativo e social.

R: nos países centrais do capitalismo, claro, a situação melhorou. Direitos foram conquistados a preço de sangue – literalmente – de sindicatos e trabalhadores mais batalhadores. Mas a questão é que a melhora de nível de vida dos trabalhadores não é SOMBRA de o quanto os mega ricos aumentam suas riquezas. E de onde que as crises não são piores que a anterior? Se há melhorias, são para os capitalistas. Se não houve revolução, ocorre que por força de propaganda, muitos pobres de direita – inclusive os ‘intelectuais’ que negam a miséria no mundo – passaram a defender com unhas e dentes o capital (por desejo de ascender e poder explorar os outros ou simplesmente por terem sido doutrinados a achar isso o máximo desde cedo. E houve, sim, revolução. Em muitos países, a exploração foi tão cruel, que levou a população a pegar em armas. Como, então, estão erradas as idéias do Marx? Em relação ao capital sair fortalecido das crises: ÓBVIO!!! Quando há uma crise, fortunas são destruídas, capital muda de mãos, propriedades são vendidas, e no último caso, guerra, os meios de produção são destruídos, eliminando a super produção que é, caso alguém tenha estudado Marx, a pior das contradições do capitalismo. Não há fortalecimento do sistema ao sair da crise, ocorre um momentâneo reajuste, que leva o colapso total um pouco mais para a frente. Nos últimos anos, devido a imensa capacidade de produção, o setor industrial já não consegue ser lucrativo o suficiente para atender à ganância dos donos do dinheiro. Portanto, o capitalismo inovou ao criar o hiper parasitário capitalismo financeiro, totalmente dependente dos Estados – visto que precisam dos juros pagos por Estados ‘em desenvolvimento’ para ‘atrair investidores’ (especuladores, inúteis que vivem de pegar dinheiro a 0,5% em países ricos e emprestar aos pobres por 10%, enriquecendo às custas do trabalho de todo um país – e depois dizem que não há almoço grátis). O sistema evoluiu, sim, mas para tornar cada vez mais fácil para quem tem muito dinheiro, ganhar muito dinheiro. Sempre às custas da exploração do trabalho alheio. A tese de que ‘mecanismos de ajustes’ tornam o sistema participativo e social é uma amarga ironia, pois justamente foi o fato de Wall Street fiscalizar permanentemente o Congresso americano – e não o contrário – que permitiu ao sistema financeiro mundial ficar atolado em um sistema especulativo totalmente parasitário, que nada produz, e depende vitalmente de alta constante de preços de commodities e de altas taxas de juros pagas por bancos centrais de países pobres.

 

4- A Grande Depressão foi com certeza a maior de todas as crises do capitalismo, mas isso já foi há mais de 80 anos. O capitalismo jamais passou por outra crise semelhante. Desde então é inegável que a qualidade de vida e a economia prosperaram enormemente nos países capitalistas.

R: a maior crise do capitalismo foi a do petróleo, em 1970, que mostrou ser basicamente impossível obter altos rendimentos da produção, levando ao aumento absurdo da especulação envolvendo o mercado de futuros. Claro que houve prosperidade: quem era rico ficou absurdamente mais rico, quem era pobre talvez tenha deixado de passar fome – muitas vezes graças aos impostos recolhidos dos mais ricos e distribuídos pelo governo a títulos diversos. Agora, a economia prosperar, claro que prosperou. Mas nunca para todos. Se os trabalhadores americanos ficaram mais ricos (rá rá rá, visto que praticamente toda a produção mundial está centrada na China, não há empregos para os trabalhadores americanos viverem essa ‘prosperidade’) apenas a miséria e a exploração são direcionados para mercados onde os trabalhadores não tem tantos direitos assegurados, garantindo mão de obra barata a ser explorada. Com o tempo, cria-se miséria onde havia a prosperidade, visto que as empresas migram atrás de mais lucros – e mão de obra barata é fundamental para aumento da lucratividade.

 

5- Ao contrário do que Marx previra, a qualidade de vida das classes menos favorecidas aumentou e a pobreza extrema está sendo reduzida gradualmente em todo mundo. Para entender a velocidade desse progresso considere as Metas do Milênio apresentadas em 2000 pela ONU. O objetivo era reduzir pela metade o número de pessoas vivendo com 1 dólar por dia até 2015. Essa meta foi atingida cinco anos mais cedo.

R: já ouviu falar de África, India? A pobreza lá é imensa. Além disso, em países anteriormente pobres, mas não miseráveis, as intervenções dos Estados Unidos estão solapando a economia e o governo. A Síria era um oásis de estabilidade e desenvolvimento, ATÉ os americanos e a Europa resolverem que não gostavam disso e estragado tudo, sob o mísero preço de milhões de vidas. Quanto às metas do milênio, dá para pôr boa parte do mérito disso em países pobres que são subitamente invadidos pelos capitalistas e seus bons empregos. Vejam a África: nunca foi rica, mas não havia tanta miséria. Quase todos sobreviviam de um pequeno pedaço de terra e caça. Subitamente, se viram orientados a trabalhar para pagar impostos aos imperialistas, e para comprar coisas ‘de necessidade’ das quais nunca ouviram falar. E em troca de salários miseráveis, passaram a abandonar o sustento sofrido, mas razoavelmente estável, de suas terras. Dessa forma, aumentar a massa salarial nem sempre é reduzir pobreza, visto que normalmente o custo de vida é sempre acima do que se deseja pagar aos trabalhadores menos instruídos. Bilhões de chineses deixaram, por exemplo, o campo para trabalhar nas cidades. Isso aumenta a média de renda pois quem não recebia nada passou a receber muito pouco. Porém, nem sempre compensa, visto que o custo de vida em qualquer centro urbano é superior ao do campo.

6- A maioria dos países mais pobres do mundo tiveram regimes de inspiração socialista por longos anos.

R: todos os países que tiveram regime de inspiração socialista sempre foram pobres, e justamente por isso, o povo cansou de votar em quem só beneficiava a parcela rica da população em detrimento da imensa maioria. Isso é democracia, o lado com mais votos VENCE. Naqueles onde além de condições dignas de vida, ainda eram negados o direito ao voto, a resposta veio pela via revolucionária. Assim, o comunismo não criou países pobres. Países pobres tornaram-se comunistas/socialistas em busca de vidas melhores negadas pela direita ultra exploradora.

7- Você já deve ter ouvido falar que a culpa pela fome e pela miséria no mundo é do capitalismo.

Mas o que seu professor esquerdista não te contou é que o socialismo já foi e continua sendo, uma força extremamente influente no mundo. As idéias socialistas não vão contra o Status Quo, ela é parte do Status Quo. Ela é a parte ruim dele diga-se de passagem.

R: vide acima.

8- Muitos países que você imagina serem vitimas do capitalismo já tiveram regimes de inspiração socialista. Só no continente africano: Angola, Moçambique, Benin, República do Congo, Etiópia e Somália tiveram suas economias destruídas por regimes comunistas que duraram vários anos e quase todos continuaram tendo economias bastante controladas pelo estado mesmo depois disso.

R: isso foi antes ou depois do imperialismo deixar esses países por não haver viabilidade econômica de manter a dominação, visto ser mais lucrativo simplesmente inundar as fracas economias desses países com produtos importados, aniquilando a produção local e desestabilizando suas balanças comerciais, e deixando um vácuo de poder a ser ocupado por ditadores (nem todo comunista é ditador, e nem todo ditador é comunista. Esse erro comum dos liberais prova que ou são puramente preconceituosos ou estudam pouco – ou ambos)?

9- Seu professor esquerdista também deve ter falado pouco sobre regimes de inspiração socialista na Líbia e no Iêmen. Sobre o partido Baath no Iraque e na Síria. Que países que fizeram parte da União Soviética e que mantiveram um modelo parecido, mesmo com o fim do comunismo, como é o caso do Uzbequistão, tem a maioria da sua população na miséria.

Também não deve ter falado nada sobre como políticas socialistas devastaram o Zimbábue. Nem que a Índia, país que concentra a maioria dos miseráveis do mundo, por quase 40 anos teve uma sucessão de governos populistas, paternalistas, intervencionistas e que se inspiravam na economia soviética. Durante todo este período o país esteve completamente estagnado e só começou a crescer nos anos 90, justamente depois que o governo promoveu amplas reformas liberais, que apesar de tímidas, já conseguiram reduzir drasticamente a miséria no pais.

R: vide acima.

10- Os países mais liberais estão entre os mais desenvolvidos ou entre os que mais rápido se desenvolvem.

R: jura? Os países mais liberais, que lideraram a corrida imperialista e exploraram as colônias até não valer mais a pena, que detêm capital suficiente para manter riqueza até hoje, e que por uma questão de lógica – sendo países ricos, claramente não se vê necessidade de mudanças, portanto, mantêm-se à direita – que se beneficiaram na revolução industrial e ganharam mercados após a II guerra são os mais desenvolvidos? Puxa, coincidência, não?

11- Outra coisa que seu professor esquerdista não deve ter te contado, é que todos os países com IDH considerado “muito alto” são, de uma forma ou de outra, capitalistas. Aposto que você não sabia que a Nova Zelândia estava completamente quebrada nos anos 80, mas que depois de uma reforma liberal radical, conseguiu se reerguer e chegar ao posto de 6º melhor IDH do mundo. Que a Alemanha saiu dos destroços da II Guerra Mundial seguindo uma doutrina econômica chamada “ordoliberalismo”. Que os Estados Unidos, 3º melhor IDH do mundo, maior economia do mundo e país mais inovador do mundo em número de patentes, tem a liberdade de mercado e a propriedade privada como parte inseparável da sua história, da sua cultura, das suas instituições e da sua própria identidade nacional.

R: talvez os liberalistas na Alemanha e Nova Zelândia pudessem ensinar algo aos brasileiros; após um regime militar entregar o país falido aos civis, quando o Brasil começava a entrar nos trilhos, um grupelho neo-liberal faliu nosso país 3 vezes. E foi algo tão terrível, que para variar, em situações de exploração e miséria absurdas criadas pelo capital, o país tomou a via da esquerda. Curioso como a história se repete, né. Quanto à Alemanha: a situação dos bancos alemães – e indiretamente sua economia, e de ricochete toda a União Européia – é ainda mais desesperadora em termos de dependência de capital especulativo que o sistema financeiro americano. Veremos se sobrará algo quando a crise subprime, que começou em 2007 e teve seus resultados adiados, vier e cobrar consequências.

12- Não deve saber que a carga tributária da Austrália (2º melhor país pra se viver do mundo) é de apenas 33,2% do PIB, que o Canadá foi considerado o 2º melhor país para se fazer negócios pelo Fórum Econômico Mundial, nem que Hong Kong e Singapura (13º e 18º melhores IDHs respectivamente) eram países miseráveis até bem pouco tempo atrás. Conseguiram chegar ao posto em que estão hoje em menos de 30 anos e são justamente, os dois países mais liberais do mundo.

R: o Canadá explora minérios raríssimos e usa os lucros dessa exploração para serem revertidos em benefícios e infra-estrutura para a sociedade. Isso não seria nem um pouco socialista, não?

13- Nem todo país liberal é desenvolvido, mas com certeza todos eles estão no caminho. Um exemplo é o Panamá, o país da América Central que teve o 8º maior crescimento do PIB em 2012 e que está entre os que mais reduziram a pobreza nos últimos anos, ou o Peru, que apesar de ainda ser bastante pobre, também vem conseguindo reduzir drasticamente a pobreza e teve o maior crescimento do PIB da América do Sul em 2012.

R: óbvio que não. É preciso que alguns países sejam mais pobres, a fim de ser possível negociar com lucro e conseguir matéria prima e mão de obra barata.

14- Os socialistas dão a entender, através de seu discurso, que a desigualdade é o grande mal do mundo. Para descreditar as políticas liberais, apontam para um “aumento da desigualdade” como se isso fosse sempre um mal e como se igualdade fosse sempre um bem.

R: para quem está morrendo de fome, desigualdade é um mal terrível. Para quem troca de jatinho todo ano, não, não é tão mal assim, claro.

15- São incapazes de perceber que desigualdade não significa pobreza e que igualdade não significa riqueza. Um povo pode ter igualdade, mas serem todos iguais na pobreza. Da mesma forma, outro povo pode, apesar da desigualdade, garantir um nível de vida satisfatório para os mais pobres.

R: liberais são incapazes de perceber que garantir o mínimo para a sobrevivência de todos é uma questão mais importante que luxo e conforto.

16- A prova disso é que a desigualdade medida pelo Coeficiente GINI, revela algumas coisas bem interessantes:

– A Etiópia é um dos países mais igualitários do mundo. É inclusive mais igualitária que a média dos países da União Européia. Outro que também está entre os mais igualitários é o Paquistão.

Mas onde é que existe mais pobreza? No Paquistão e na Etiópia ou na União Européia?

– O Timor Leste é mais igualitário que Espanha, Canadá e França

– O Bangladesh, outro país que concentra massas de miseráveis é mais igualitário que Irlanda e Nova Zelândia.

– A Índia é mais igualitária que o Japão.

– O Malawi é mais igualitário que o Reino Unido.

R: sério? Mais um índice? Claro que países pobres são igualitários, quase todo mundo não tem nada. A questão é que em países pobres, uma pequena diferença de renda entre a elite e o resto da população faz as pessoas morrerem de fome. Em países desenvolvidos, faz as pessoas comprarem celulares mais baratos. Francamente, é absurdo não se levar em conta dessa forma o desespero de um ser humano em estar MORRENDO por não ter o que comer enquanto países ricos – mas que já apresentam índices sociais preocupantes, além de problemas estruturais que tendem a colapsar a economia a médio prazo – desperdiçam em torno da metade do que consomem. Não é questão de nível de vida satisfatório, criaturas insensíveis: é questão de sobrevivência para quem está morrendo.

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